Kama Zutra

O Zénite zurzidélico do Zuni-K

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Ereções 2008

Ok, vamos considerar que você tem um tumor no cérebro do tamanho de uma laranja (lembrando que a laranja corresponde ao tamanho do tumor, não do seu cérebro). Seguindo um silogismo simples, uma vez que você não é fã do NX Zero não pretende morrer tão cedo, logo, vai atrás de um tratamento. Eis que se depara com duas situações:

No canto direito do ringue, pesando uma pós-graduação e uma vida inteira dedicada ao tema você tem um neurocirurgião, que lhe recomenda uma cirurgia de remoção e um tratamento minucioso, com posterior combinação de tratamento químico e terapêutico.
No canto direito do ringue, portando uma garrafa de cachaça, um conhecimento enciclopédico sobre a grade da Globo e ostentando uma indiferença absoluta sobre tumores cerebrais e sua culinária exótica, temos uma bancada composta por um funileiro, dois cantores sertanejos, um juiz de futebol, quatro adolescentes histéricas e um pai-de-santo te recomendam que você reze três pai-nossos, tome um copo de água com vinagre de ponta-cabeça, coloque um dente de alho embaixo do travesseiro antes de deitar e dance a dança do quadrado assim que acordar. Ah, claro, usando uma cueca vermelha tingida no sangue de uma sapa grávida.

E aí, você segue quem?

..............................................?
...................?
....................................?
........................?
...............................?

Se você escolheu ouvir o médico, então meus parabéns, você é uma pessoa anti-democrática!


Afinal, porque raios o seu tumor seria mais importante do que os rumos políticos, econômicos, sociais e culturais de toda a nação?

Fato é: o caso ilustrado pela bancada da segunda situação é aplicável em duas vias: eleitores e governantes.

Na primeira via, a dos eleitores, temos que engolir nosso orgulho besta e aceitar o fato de que o Brasil, de modo geral, é composto por uma imensa micareta de analfabetos políticos. Nós (eu não sou “nós”, e se você leu até aqui, provavelmente também não seja, mas o seu cunhado corinthiano de chinelo e regata certamente é!) não gostamos de assistir a debates, e se assistimos não entendemos nada. Não lemos jornal (quadrinhos, horóscopo e programação de cinema nããão cooon-taaaam), assistimos o jornal nacional só pra esperar a janta ficar pronta e não nos lembramos dos candidatos em que votamos na última vez (a maioria não lembra nem de quem concorreu. Faça uma pesquisa aí na sua casa, pergunte o nome de quatro candidatos a presidência da última eleição. Uma bala Juquinha pra quem tiver um resultado animador). Logo, somos um povo incapaz de eleger corretamente. Mais vale, então, a opinião de um cientista político, sociólogo ou economista do que a de quatrocentos fãs da Hebe.

Na segunda via, a nossa (do seu cunhado comedor de Fandangos) incapacidade de acompanhar, interpretar e avaliar a política nacional colocou num terno bonitinho vereadores como Netinho de Paula, o jogador Túlio Maravilha, Frank Aguiar, Aguinaldo Timóteo... Mas o grande campeão da vez foi mesmo o travesti dançarino de pagode Leo Kret do Brasil, o quarto candidato mais votado em Salvador. Ô, se coronel ACM tivesse vivo ainda, rancava-lhe o coro à pexera... E a política nacional ainda é tão séria que foi por muito pouco que não elegemos figuras de alto nível como Sérgio Malandro, Rita Cadillac, Gretchen (meu deus, como foi que deixaram o Zeca Urubu fazer um filme pornô??), cinco ex-BBB's, o ex-artilheiro do corinthias Dinei, Kid Bengala... o freak show é enooooorme... veja você, menina, que em São Paulo o Maluf teve uma votação mais expressiva que a Soninha!

Antes que venham os moralistas, os fãs da Lya Luft e as aberrações pseudo-marxistas à lá Loser-manos me ferver em óleo e alcachofras, aviso que não sou um totalitário elitista preconceituoso qualquer. Como bom anarquista (não Antanquista. Vide Wikipédia), sou totalmente a favor do poder nas mãos do povo. No entanto, a “democracia” como a temos decididamente NÃO É um regime que coloca poder nas mãos do povo. É antes um engodo pra engabelar ilusoriamente um povo, que fica alegrinho achando que assim fez a “sua parte” para um país mais bonitinho, fofo e miguxo. Qualquer relação de poder vertical ou representatividade é naturalmente anti-democrática, e blábláblá.

Mas enfim, foda-se, não é a ideologia política que importa aqui, e sim a crítica desmesurada e preconceituosa. Pra opiniões sérias, ligue no disk-Zúnica 24h, com o número do seu boleto de pagamento em mãos, que eu explico de onde vem a revolução e pra onde foi a sua filha/irmã/namorada/melhor amiga sábado passado.

Voltando à vaca fria, qual seria a situação pra mudar o país? Mude-se! Eu sou Brasileiro e não desisto nunca da minha cidadania européia. Mas já que a passagem é cara, o negócio é mesmo pegar uns livros, desligar a televisão um pouco e se ligar nos políticos do seu país (que fique bem claro: SEU país), trabalhar pra tentar alavancar a educação de pelo menos uma pessoa (seu cunhado fã de Zeca Pagodinho é um bom começo) pra que um dia o prefeito seja um nome mais conhecido na sua cidade do que o técnico da seleção, e nós não tenhamos mais que ver a cara nojenta do Leo Áquila no horário político em plena hora do jantar.

Já é algum progresso...
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terça-feira, 30 de setembro de 2008

Porque eu odeio médicos

Já fazia quatro noites que não dormia por causa da tosse. Subia uma escada, o ar fugia. Na garganta, algo como uma bola de sebo e cacos de vidro se fazia evidente toda vez que as palavras tentavam correr pra fora. Começava a desconfiar que talvez aquele papo todo de imortalidade não fosse verdade, e o trato que eu fiz com Deus fosse realmente coisa da minha cabeça..

O fim de semana foi de curas xamânicas. Chá de alho com gengibre, infusão de camomila, bolsa de água quente e, sobretudo, muito conhaque. Nada funcionou. Eram sete horas da manhã de uma segunda-feira macielnta quando resolvi que procuraria aqueles pervertidos de branco que se auto-intitulam doutores. Cara, eu odeio médicos.

Hospital: uma hora de espera escarrando como um lhama gripado, sentado numa ridícula cadeirinha de plástico bege, espremido entre uma mulher com uns doze filhos e uma gorda usando um vestido de estofamento de sofá dos anos setenta e comendo salgadinhos como se fossem arrancar o pacote das mãos oleosas dela a qualquer minuto, de olho em um uma televisãozinha em que a Ana Hickman dava dicas para combinar o biquini com a sandália, que oscilava a imagem com rompantes de chuviscos toda vez que o painel eletrônico apitava com a senha para que o próximo boi enfermo fosse para o abate. Cara, eu odeio hospitais.

No consultório, o médico lê o questionário constrangedor que a enfermeira me fez responder, incluindo um histórico de todas as drogas lícitas e ilícitas que já consumi, todos os tratamentos aos quais já fui submetido e o número de parceiras sexuais que tive nos últimos seis meses, separados entre com e sem preservativo - conta essa que me tomou um tempo considerável e um esforço de memória sobrehumano. Depois ele ouve meu peito com aquele fone de ouvido bizarro, me pede pra dizer “trin-ta-e-três, olha a radiografia do meu pulmão, faz meia dúzia de anotações e carimba uma folha. Aí ele lembrou que eu tava lá e sabia falar, e me disse:
- Sabe, rapaz, eu acho que isso pode ter a ver com o fato de você fumar
- ...
- ... (sorriso estúpido)
- Ah... é?
- ... (sorriso muito estúpido)

- PORRA, JURA MESMO DOUTOR???? É PRA ISSO QUE VOCÊ ESTUDOU CINCO ANOS NUMA PORRA DE FACULDADE, FEZ RESIDÊNCIA E ESPECIALIZAÇÃO?? PRA ME OLHAR COM ESSA CARA DE BOSTA, DEPOIS DE ME FAZER ESPERAR DUAS HORAS PRA SER ATENDIDO, E ME DIZER, COM TODA A SUA SAPIESCÊNCIA CLÍNICA E EMBASAMENTO CIENTÍFICO, QUE FUMAR FAZ MAL PRO MEU PULMÃO???
- ...

- arf, arf, arf... cof cof... arf, arf...

- É... eu acho...


Me receitou um antibiótico e Tylenol pro caso de eu sentir dor. Boa tarde e passar bem.

Cara, eu odeio médicos...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Tá-dááááááá!!!!

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Tá, to entediado. Odeio ficar entediado. Então, por causa do meu mau-humor bipolar, decorrência (des)astr(e)ológica de ser geminiano com ascendente em Gêmeos e lua em Peixes, resolvi chutar o balde outra vez e descontar meu tédio na internet. Eu já fiz isso em outra ocasião, mas dessa vez eu J-U-R-O que vai ser pra valer.

Tô inaugurando esse novo espaço pra poder escrever de tudo um pouco, contar as coisas que ninguém tem paciência de ouvir pessoalmente e dar piti e ataque de pelanca sem ser chamado de viadinho na cara larga. E o melhor de tudo, sem me preocupar com correção, sem me preocupar com coerência e, principalmente, sem me preocupar nem um pouquinho que seja com VOCÊ, caro leitor! Sim, porque eu vivia em crise com a periodicidade e com a qualidade do ProzacZone, e agora eu estou, literalmente, cagando e andando com isso. E acredito que será justamente esta cagandandância que trará uma periodicidade legal. Sim, pois agora chega de me enfurnar num complexíssimo ritual de madrugadas a base de conhaque e Tom Waits pra escrever um texto bem estruturado, original e divertido. Quem quiser isso, que compre meu livro (que ainda não saiu, mas que com muita fé vai ser lançado um dia, e você vai comprar um exemplar pra você e mais três pra dar de presente nos sorteios de amigo-secreto do seu escritório no natal).
Agora eu estou a vontade pra escrever coisas em cinco minutos no escritório enquanto minha chefe estiver ocupada fazendo o trabalho urgente que eu deveria ter feito na noite passada, mas não fiz porque fiquei assistindo vídeos pornô caseiros. Me sinto livre, leve e solto, exatamente como uma menina andando de bicicleta em um comercial de absorventes!

Vamos falar de cinema, de livros, de televisão, da minha interessantíssima vida profissional e sexual, vamos ter a republicação dos meus textos favoritos do Prozac quando eu estiver com preguiça de escrever ou bater saudades de ler. E vamos ter até(ora, e por que não?) novos textos bem estruturados, poéticos ou não, emocionantes ou não, interessantes ou não. A palavra de ordem é FODA-SE! E três vivas para o pouco-caso e o cinismo desmesurado! Hip-Hip-Porra! Pau no cu e um real no meu bolso!

É isso aí. Espero não desistir disso aqui na terceira postagem como fiz das outras vezes. Ah, sim, o Prozac ainda vai ser atualizado, e eu prometo colocar um botão aí do lado pra linkar ele, ok? Mas se eu mudar de idéia o problema é meu, que ninguém lava minhas cuecas nem paga minhas contas.

(Merda, onde foi que eu coloquei os meus cigarros??)